As dores e alegrias da amamentação

Faz tempo que eu precisava falar sobre isso. Enquanto você está grávida poucas pessoas dão instruções sobre amamentação – o povo só fica te apavorando sobre o parto (compartilharei minha opinião sobre isso em outro momento).

Sempre tive um desejo enorme de amamentar, acho bonito, um gesto de carinho e proteção ao bebê, mas eu tinha a imagem que seria sempre assim:

Imagem

 

Eu diva, calma, sorridente, maquiada e amamentando… mas no começo nem tudo são flores.

Minhas dificuldades

Depois da cesárea fui para o quarto e esperei o bebê chegar para tentar amamentar. Fiquei com medo que não tivesse leite, pois enquanto gestante não saiu líquido nenhum dos meus seios.

Quando o Rafa chegou no quarto coloquei no seio e fiquei esperando a ‘mágica’ acontecer, mas nada. Ele estava meio sonolento, então deixei que dormisse mais um pouco. O hospital tem uma enfermeira apenas para instruir sobre como amamentar. Ela apertou o bico do meu seio (sim, doeu muito!) e disse que eu tinha leite. Saiu uma gotinha de colostro, que era transparente e não parecia um leite! 

A senhora muito querida disse que ele ainda não sabia sugar e que eu teria que estimular colocando meu dedo mínimo no céu da boca dele para dar certo. Mesmo assim, ele não pegava corretamente e mamava muito pouco, muitas vezes engolindo ar. Eu passei o dia tentando amamentar e quase nada acontecia. Eu estava cansada e frustrada em perceber que não era tão simples. 

Ainda no hospital foi dado Nan para o Rafael e eu fiquei com medo de que ele me trocasse por aquela latinha cara. Eu via as outras mães que tiveram filho no mesmo dia que eu super amamentando felizes e eu ainda sem entender o que estava acontecendo.

Na alta com a pediatra neonatal falei sobre a minha dificuldade em amamentar e aí começou uma sessão de tortura. Ela pediu para mostrar como eu fazia e disse que estava errado. Apertou por uns 10 minutos o bico dos meus seios, puxou, apertou, puxou, apertou, sério, fiquei com vontade de bater nela… até que a ‘mágica’ aconteceu – ele sugou e eu amamentei de verdade! A doutora disse que o bico do meu seio era curto, mas que com insistência eu conseguiria amamentar.

Eu teria que me torturar em casa, sozinha – começava mais um o desafio. Além de estar na fase de puerpério, chorando e me irritando por qualquer coisa, cada mamada para o Rafael começava meia hora antes. Eu puxando bico, passando dedo na boca dele, tentando encaixar. Às vezes dava certo, outras não. Por isso, meu seio começou a rachar.

Que dor!

Para mim, estas foi uma das dores mais intensas que senti. Eu tinha que alimentar meu filho, mas para isso, teria que suportar aquele mal-estar a cada duas horas. No hospital eu ganhei amostra grátis de uma pomada a base de lanolina para ajudar, também passei o próprio leite no seio, é o que instruem nas Unidades de Saúde.

Não peito chegou a sangrar, mas também não tinha tempo de cicatrizar e passei acho que um mês com esta dor terrível.

Nesta época eu fui em um salão de beleza retocar as luzes, fazer unha e ouvi várias mulheres contando que tiveram o mesmo problema. Algumas pessoas me indicaram passar casca de banana no seio, claro que não fiz! Ouvi também de outra que desistiu de amamentar por causa dessa dor e começou a introduzir alimentos no bebê aos três meses porque ‘o Nan era caro’. Enfim, ouvi vários absurdos!

Os melhores conselhos ouvi foram da minha mãe e da minha cunhada Camila. Elas sempre tiveram ao meu lado e todos os dias me ligavam para saber como estava a amamentação. Minha mãe disse ‘seu seio vai ficar acostumado e o Rafael mais esperto e vai parar de doer quando você menos esperar’. Sim, isso aconteceu!!

Hoje ele é super esperto pega corretamente de primeira e suga muito bem, tanto que tem ganhado mais de um quilo por mês e é o orgulho do pediatra!!

Agora eu amamento com prazer e sem dor, posso até tirar foto diva igual a Claudia Leitte. 

Só contei a minha história para dizer com propriedade que amamentar não é fácil, mas vale muito à pena. Mesmo que doa insista, porque vai passar! Na época encontrei pouco material na internet sobre o assunto, só histórias terríveis que me deixaram assustada. Tomara que meu relato possa ser uma ajuda positiva.

Respeito as mulheres que não puderam amamentar ou por algum motivo tem que dar complemento ao bebê. Cada um escreve uma história e todo esforço para ter um bebê saudável é válido.

Me identifiquei

Um belo dia eu estava amamentando e assistindo o programa Encontro da Fátima Bernardes, aí a Chris Nicklas (eu adorava ela na MTV) apresentou um projeto sobre amamentação. Ela amamentou gêmeos e mostrou no programa uma foto toda descabelada com os dois! Eu me emocionei assistindo o que ela falou, me identifiquei muito! Clique aqui e assista também! 

E você como foi sua experiência com a amamentação?

 

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7 comentários sobre “As dores e alegrias da amamentação

  1. Com minha primeira filha, a Ana Julia, tive sorte! Eu não tive que ensinar ela mamar, parece que ela já nasceu sabendo e com fome, kkkk, veio com a boquinha e pegou o peito e saiu mamando, incrível! Mas mesmo assim o peito machucou um pouco. No começo eu dava errado, mas na maternidade tinha um projeto sobre amamentação desenvolvido por uma faculdade que me ajudou muito, então aprendi que o bebê deve abocanhar toda a auréola do seio e não apenas o bico. E depois foi tranquilo, mas convivi com “empedramento”do leite durante o período de um ano que amamentei, como eu tinha muito leite de vez em quando meu peito “empedrava”, isso é horrível tem que fazer massagem no seio e dói demais. O correto é tirar o leite e doar, mas isso tb é um pouco cansativo!
    Com o Luis Felipe foi diferente ele era meio preguiçoso pra mamar, só queria dormir, mas como estava com fome acordava nervoso chorando e aí que não conseguia mamar mesmo!, Então quando ele pegava o peito eu não deixava ele dormir (cutucava a orelhinha dele) até que mamasse o suficiente. Mas isso foi só nos primeiro dias, agora amamentar está sendo bem tranquilo, dessa vez o bico não rachou e meu leite não empedra, o Luis Felipe da conta de tudo, kkkk. Espero que minha experiência ajude algumas mães também. Abraços.

  2. Meu bico também era curto antes da gravidez. Quando eu ainda estava grávida, de 12 semanas mais ou menos, comprei uma concha de amamentação, para preparar o bico. Usei desde o quintoou sexto mês e depois do parto. Foi maravilhoso. Não tive fissuras e o André aprendeu a sugar muito rápido. A melhor concha é a da Promillus com base de silicone, para bicos curtos. Mas para quem tem bico invertido, a melhor é a de base rígida; Comprei a minha na livraria/shopping da gestante. Lá, mesmo não comprando nenhum produto, eles dão uma palestra muito boa sobre amamentação.

  3. Quase morri…o Eric chorava e eu chova junto, saia sangue, pus e leite, tudo junto…mas eu ficava mordendo um pano pra nao gritar. Fui na maternidade de novo e pedi ajuda das enfermeiras. Elas me mostraram o jeito certo de sentar, segurar, abocanhar e etc e nunca mais doeu, mesmo machucado. Porém, eu nao tinha leite o suficiente. O Eric perdeu 1 kilo nas 2 primeiras semanas e tinha que complementar com o Nan, mas ainda sim eu insisti até o 4 mes…aí nao tinha mais nada.
    A Bibi foi mais fácil…só uns probleminhas nos dois primeiros dias…ela nao tinha paciencia, com ela eu insisti mais e dei o peito em intervalos menores, mas ela ganhava POQUISSIMO peso, quase nao chegava a 500gr por mês e aos 3 meses teve anemia…aí nao teve jeito, partimos pro NAN, pra mim nunca foi fácil, por isso eu nao acho amamentar a coisa mais deliciosa do mundo…mas eu amava o contato deles comigo. E por eu ter tido parto normal desceu o colostro rapidinho, mas a Bianca só foi mamar bemmm depois que nasceu..ela só dormia, se esforçou mto no parto tadinha…

  4. Ai que dó, Pri! Pra não fazer escândalo eu batia meu pé e fazia ‘grrrr’…hahha ás vezes escorria uma lágrima do olho! Meu marido dizia nessas horas que queria ter peito pra me ajudar! Ainda bem que passa!

  5. Aiiiieeeee Eve! Só de ler seu relato me da calafrios! kkkk E eu lembro de mim! Entao minha historia foi assim! Com o jonathan e o gustavo, no inicio doeu muitooooo pra amamentar, meu seio rachou, sangrou, fez casquinha, eu fui ate a maternidade tambem e eles me disseram que eu tava amamentando direitinho que era NORMAL doer, e machucar!!! Depois de uns dois meses, o seio “acostumava e parava de doer! E ai era uma deliciaaaaaa amamentar! Amamentei eles ate bem depois de um ano.
    Com o Leo, passei a gravidez inteira lendo sobre amamentação, na maternidade, a cada mamada eu chamava as enfermeiras pra me ajudar, masssss machucou do mesmo jeito, elas tambem diziam que eu tava amamentando direitinho que era NORMAL, sentir tudo aquilo, mas eu nao me conformava com a dor, minha ultima tentativa foi ir até uma ong chamada PROAMA, Incrivellllll!!!! Foi minha salvação! Descobri la que realmente ler tudo aquilo sobre amamentação e ser o 3 filho, eu tava dando de mamar certo, massss o Leo (e os os outros dois tambem) dormia a cada duas sugadas! E saia da posição. (boca bem aberta, pegando boa parte da aureola,e tals), e quando ele dormia a boquinha escorregava e quando eu finalmente conseguia acorda-lo pra voltar a mamar ele pegava só no bico o que é errado e é isso que machuca.
    Depois desse dia, nunca mais doeu para amamentar, mesmo meu seio ja estando bem machucado, e é bem o que elas dizem, se ta doendo, tem alguma coisa errada.
    E hoje com ele com menos de um mes, desde a primeira semana, é uma delicia amamentar!!!!!!!!

  6. Ai Eti, onde fica o Proama? Passa aí pra mulherada parar de sofrer! Sentir dor não pode ser normal. Acho que por se falar tão pouco disso muitas mães não conseguem amamentar direito e outras desistem por causa da dificuldade!

  7. Pingback: Amamentar é… | Papo de família

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